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Cultura e imigração

Quatro povos, um estado

A cultura catarinense é resultado de camadas: os povos originários, os açorianos que colonizaram o litoral, os alemães que abriram o vale e os italianos que ocuparam o sul e o oeste. Role a página para percorrer essa história.

Linha do tempo

Da ocupação indígena às festas de hoje

Seis marcos que explicam por que cada região catarinense fala, come e constrói de um jeito diferente.

Homens guarani com cocares de penas tocando maracás durante uma celebração.

Antes de 1500

Povos indígenas

Muito antes da chegada dos europeus, o território era habitado pelos Xokleng e Kaingang, no planalto e no vale, e pelos Guarani e Carijó, no litoral. Viviam da caça, da pesca, do pinhão e da mandioca, e deixaram marcas nos sambaquis e nas inscrições rupestres da costa.

Herança: os nomes — Itajaí, Araranguá, Camboriú, Chapecó, Urubici.

Casario colonial branco com portas e janelas azuis, típico da arquitetura açoriana do litoral catarinense.

1748 – 1756

Colonização açoriana

Portugal trouxe cerca de 6 mil casais das ilhas dos Açores e da Madeira para povoar o litoral e garantir a posse do sul da colônia. Eles fundaram freguesias em Desterro (hoje Florianópolis), Laguna, São José e Biguaçu, vivendo da pesca da tainha e da farinha de mandioca.

Herança: o sotaque cantado, o boi-de-mamão, a renda de bilro e o pirão.

Pintura religiosa de São Pedro de Alcântara erguendo os braços entre nuvens e anjos.

1829

Os primeiros alemães

A colônia de São Pedro de Alcântara, perto de Florianópolis, recebeu as primeiras famílias alemãs do estado — e foi a primeira colônia alemã de todo o Brasil. O governo imperial queria ocupar o interior com pequenas propriedades agrícolas.

Herança: o modelo de pequena propriedade familiar que ainda define o campo catarinense.

Construção enxaimel com vigas de madeira escuras formando desenhos geométricos na fachada.

1850 – 1900

Imigração alemã no Vale do Itajaí

O farmacêutico Hermann Blumenau fundou em 1850 a colônia que leva seu nome. Nas décadas seguintes surgiram Joinville, Brusque, Pomerode e São Bento do Sul. Os imigrantes trouxeram a técnica construtiva enxaimel, as cervejarias, as escolas comunitárias e o início da indústria têxtil.

Herança: Oktoberfest, cuca, marreco recheado e o dialeto pomerano.

Parreiral de uvas em encosta com casa rural de pedra ao fundo.

1875 – 1930

Imigração italiana

Vindos do norte da Itália e também do Rio Grande do Sul, os italianos ocuparam o sul (Criciúma, Urussanga, Nova Veneza) e o oeste (Chapecó, Concórdia). Plantaram parreiras, produziram vinho colonial e trabalharam nas minas de carvão.

Herança: polenta, galeto, vinho colonial e o dialeto talian.

Grupo de pessoas em trajes típicos dançando em festa cultural com bandeirinhas coloridas.

Século XX até hoje

Outros povos e a cultura das festas

Poloneses, ucranianos, austríacos, sírio-libaneses e japoneses também formaram comunidades no estado. A partir dos anos 1980, as festas típicas se tornaram política de turismo: a Oktoberfest de Blumenau nasceu em 1984, depois de uma enchente, como forma de reanimar a cidade.

Herança: um calendário de festas que atravessa o ano inteiro.

Tradições vivas

Festas, danças e manifestações

A cultura catarinense não está só em museu: ela aparece no calendário, na rua e na mesa.

Oktoberfest — Blumenau

Realizada em outubro, é a maior festa alemã das Américas. Reúne bandas típicas, desfiles, chope artesanal e concursos de trajes.

Festa do Pinhão — Lages

Celebra a semente da araucária e a cultura campeira da serra, com rodeio, música regional e comidas feitas com pinhão.

Boi-de-mamão

Brincadeira de origem açoriana em que bonecos gigantes — o boi, a bernúncia, o cavalinho — dançam ao som de cantigas. É ensinada nas escolas do litoral.

a bernúncia engole as crianças e devolve rindo

Fenaostra — Florianópolis

Festival dedicado à ostra e à cultura açoriana, com gastronomia, música e apresentações de terno de reis e ratoeira.

Festas italianas do Sul

Em Urussanga e Nova Veneza, as festas da uva e do vinho mantêm o talian, o canto coral e a cozinha vinda do Vêneto.

Procissão de Navegantes

Em janeiro, barcos enfeitados levam a imagem de Nossa Senhora dos Navegantes pelo mar, tradição religiosa herdada dos açorianos.

Como se fala

Sotaques que mudam a cada 100 km

Poucos estados têm tanta variação linguística em tão pouco território. No litoral, o falar açoriano corta as vogais e usa o "tu" com conjugação própria. No Vale do Itajaí, sobrevivem o alemão e o pomerano. No sul e no oeste, o talian aparece nas conversas de família.

  • Manezinho: jeito de falar do nativo da Ilha de Santa Catarina, com "tu vais" e "tá loco".
  • Pomerano: língua cooficial em Pomerode, trazida da antiga Pomerânia.
  • Talian: dialeto vêneto-brasileiro reconhecido como referência cultural nacional.
  • Alemão de colônia: ainda ensinado em escolas bilíngues do Vale e do Norte.

Em uma mesma viagem de ônibus você troca de sotaque três vezes.

Detalhe de fachada enxaimel: vigas de madeira escura cruzadas sobre parede branca de tijolo.
A técnica enxaimel (Fachwerk) usa uma estrutura de madeira encaixada, preenchida com tijolos. Pomerode mantém a maior rota preservada do Brasil, com mais de 30 construções centenárias.